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Soiedade do Cansaço leva pessoas ao burnoutDomingo, 19h30. A música do Fantástico nem tocou ainda, mas o seu estômago já deu aquele nó conhecido. Não é apenas medo da segunda-feira. É uma exaustão que parece não ter ido embora no fim de semana. Você olha para o celular e vê alguém postando uma foto de “treino pago” ou um curso online finalizado.

Imediatamente, uma voz na sua cabeça diz: “Você deveria ter aproveitado melhor o dia. Você não produziu nada.”

Se você reconhece essa cena, eu tenho uma notícia boa e uma ruim. A boa é que você não está louco e não está sozinho. A ruim é que você é uma vítima perfeita daquilo que o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han chamou de Sociedade do Cansaço.

Nós vivemos em uma época estranha. Temos mais conforto que nossos avós, mais tecnologia que nossos pais e, teoricamente, mais liberdade do que qualquer geração anterior. Mas, por algum motivo que não conseguimos explicar no divã da terapia, estamos todos à beira de um colapso nervoso, dopados de café para acordar e de remédios para conseguir dormir.

O que está acontecendo com a gente? Por que descansar virou sinônimo de crime?

O Chefe Morreu. Longa Vida ao Chefe (Você)

Antigamente — vamos chamar de “Sociedade Disciplinar”, como diziam os filósofos velhos —, a vida era mais simples de entender. Você tinha um chefe, um professor, um pai, um padre. Eles diziam “NÃO”.

O limite vinha de fora. Quando você batia o cartão e saía da fábrica ou do escritório, a exploração acabava. Você chegava em casa e ninguém esperava que você respondesse um e-mail às dez da noite.

Mas o mundo mudou. O “NÃO” saiu de moda. A palavra da vez agora é “SIM”.

Parece libertador, não é? O problema, como explica Byung-Chul Han, é que nós internalizamos o chefe. Não precisamos mais de ninguém com um chicote nas nossas costas, porque nós mesmos seguramos o chicote.

Você se cobra mais do que qualquer patrão carrasco ousaria cobrar. Se você decide tirar uma tarde para não fazer nada, não é o seu gerente que te pune. É você. É a sua culpa que grita: “Olha quanto tempo desperdiçado! Fulano já abriu três empresas e você aí no sofá.”

Nós nos tornamos empreendedores de nós mesmos. E o problema de ser patrão de si mesmo é que o patrão é um maníaco que não dá férias, não paga hora extra e não aceita atestado médico.

A Violência do “Vai Dar Tudo Certo”

Nesse cenário, surgiu uma nova doença, talvez a mais perigosa de todas: a Positividade Tóxica.

Você abre o LinkedIn ou o Instagram e o mundo parece um grande comercial de margarina corporativa. “Fracassar é aprender”, “Trabalhe enquanto eles dormem”, “Good Vibes Only”.

Essa positividade excessiva é violenta. Sim, violenta. Porque ela elimina a possibilidade de você estar mal. Se a regra é “você pode tudo”, então, se você está triste, cansado ou fracassou, a culpa é exclusivamente sua.

Essa lógica transforma o sofrimento em falha pessoal. Você não tem mais o direito de dizer “não aguento mais”. Você é obrigado a dizer “estou encerrando um ciclo de grandes aprendizados”, mesmo quando está sendo demitido e não sabe como vai pagar o aluguel.

Isso gera o que Han chama de “infarto da alma”. Nós queimamos (o famoso Burnout) não porque alguém nos obrigou a trabalhar até morrer, mas porque nós acreditamos, com uma fé quase religiosa, que poderíamos fazer tudo. E, quando descobrimos que somos apenas humanos limitados, entramos em colapso.

O Hamster na Roda de Ouro

Talvez você pense: “Mas se eu me esforçar muito, vou chegar lá e aí poderei descansar.”

Será? Olhe para as pessoas que “chegaram lá”. Os executivos de alto nível, os influenciadores com milhões de seguidores. Eles parecem descansados? Ou parecem ainda mais ansiosos, monitorando métricas, engajamento e resultados 24 horas por dia?

A Sociedade do Cansaço funciona como uma roda de hamster. A diferença é que a nossa roda pode ser folheada a ouro, pode ficar num escritório com ar-condicionado na Faria Lima ou num Home Office decorado no Pinterest. Mas continua sendo uma roda.

A meta batida hoje vira o piso da meta de amanhã. O sucesso não traz alívio; traz novas exigências. E como perdemos a capacidade de contemplar — de apenas ficar olhando para o teto sem sentir culpa —, o tempo livre nos apavora. Se ficamos em silêncio, somos obrigados a ouvir o barulho ensurdecedor do nosso próprio vazio. Então, pegamos o celular. Rolamos o feed. Buscamos mais estímulo.

Nós matamos o tédio, e junto com ele, matamos a nossa paz.

O Diagnóstico é Claro, mas a Leitura é Difícil

Se você chegou até aqui, provavelmente se identificou. Talvez tenha sentido um aperto no peito, aquele reconhecimento doloroso de quem finalmente entende o nome da doença que tem.

O livro “A Sociedade do Cansaço”, do Byung-Chul Han, é o diagnóstico definitivo do nosso tempo. É um livro genial. Mas eu preciso ser honesto com você: ele é um livro difícil.

Ele foi escrito por um filósofo, para filósofos. A linguagem é densa, cheia de termos acadêmicos e conceitos abstratos. É irônico e cruel: o livro que explica por que você está exausto é cansativo de ler. Muita gente compra no impulso, tenta ler o primeiro capítulo, se sente burra por não entender e abandona.

E aí o ciclo se repete: você se culpa até por não conseguir ler o livro sobre o cansaço.

Existe uma Ponte (e ela não é feita de autoajuda)

Foi pensando exatamente nisso — nessa multidão de pessoas exaustas, inteligentes e curiosas, mas que não têm energia para decifrar filosofia alemã numa terça-feira à noite — que nós criamos o projeto “A Sociedade do Cansaço (Des)complicada”.

Não é um resumo. Não é uma “resenha”. É uma tradução para a vida real.

Pegamos as ideias geniais do Han e tiramos o “acadêmiques”. Trocamos os termos difíceis por histórias que você vai reconhecer: o grupo de WhatsApp da família, a ansiedade do domingo à noite, a “pejotização” da vida, a solidão de quem tem mil seguidores e nenhum amigo para chorar junto.

Escrevemos este livro para ser o espelho que você precisa.

Não espere fórmulas mágicas. Não vamos te ensinar a “gerenciar seu tempo” (você já faz isso até demais). Vamos te ajudar a entender a engrenagem, porque só quem entende como a máquina funciona consegue parar de ser triturado por ela.

Se você quer entender o mundo em que vive e, principalmente, fazer as pazes com o seu travesseiro, esse livro foi escrito para você.

Pare de se culpar. Comece a entender.Botão para compa do livro Sociedade do Cansaco

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